Tabatinga AM - O rio Solimões começou a baixar em Tabatinga, no Alto Solimões, e os primeiros sinais da estiagem já chamam a atenção na região. O nível chegou a 6,54 metros, após uma redução de 8 centímetros nas últimas 24 horas.

A queda acontece no início do período de menor volume de chuvas na Amazônia e antes do pico da vazante, que costuma ocorrer entre setembro e novembro. Para os municípios do Alto Solimões, o comportamento do rio nos próximos meses será importante devido à forte dependência da população do transporte e da navegação fluvial.

Solimões começa a recuar em Tabatinga

Os dados mais recentes apontam que o rio Solimões apresentou recuo de 8 centímetros em apenas um dia em Tabatinga. Embora o nível ainda esteja próximo da média histórica, a tendência de baixa indica que a vazante já começou a se estabelecer.

A situação merece atenção porque a descida dos rios pode se intensificar ao longo dos próximos meses, principalmente durante o período de estiagem mais severa.

Em uma região onde o transporte pelos rios é essencial para o deslocamento de moradores, chegada de mercadorias e acesso a serviços, a redução do nível do Solimões pode trazer impactos para comunidades ribeirinhas e municípios do Alto Solimões.

Estiagem pode se intensificar nos próximos meses

A redução do nível do Solimões ocorre durante o chamado verão amazônico, período marcado por menor quantidade de chuvas e temperaturas mais elevadas.

As projeções climáticas indicam que a estiagem pode ganhar força entre agosto e outubro. Entre os fatores observados estão a atuação do El Niño e o aquecimento do Oceano Atlântico, que podem contribuir para a diminuição das chuvas em diferentes áreas da Amazônia.

Previsões de órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec/Inpe) e a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) apontam possibilidade de temperaturas acima da média no período.

Baixa dos rios pode afetar navegação no Alto Solimões

O nível do rio é um dos principais fatores que determinam as condições de navegação na região. Com a intensificação da vazante, trechos mais rasos podem dificultar o deslocamento de embarcações e aumentar o tempo necessário para viagens.

Entre os possíveis impactos de uma estiagem mais forte estão:

º dificuldades para a navegação

º redução da circulação de embarcações em trechos rasos

º aumento dos custos e do tempo de transporte

º dificuldades no abastecimento de comunidades ribeirinhas

º maior preocupação com queimadas durante o período seco

Por isso, o acompanhamento diário dos níveis do rio Solimões em Tabatinga e em outros pontos do Alto Solimões será importante para identificar a evolução da estiagem.

Outros rios também apresentam queda

A mudança no comportamento das águas também foi observada em outros importantes rios do Amazonas.

Em Manaus, o rio Negro marcou 27,68 metros e apresentou queda nos últimos dias. Em Itacoatiara, o rio Amazonas também registrou recuo.

O cenário é diferente no rio Madeira, que apresentou elevação no nível em Porto Velho, em Rondônia. A diferença está relacionada às características das bacias hidrográficas e à distribuição das chuvas nas áreas de nascente.

Pico da vazante ainda deve acontecer

Segundo informações do Serviço Geológico do Brasil (SGB), o início da vazante já foi identificado nos rios Negro e Solimões. Apesar de os níveis ainda não indicarem uma situação extrema, o período mais crítico ainda pode estar pela frente.

Historicamente, a descida dos rios costuma se intensificar entre setembro e novembro. Por isso, os próximos meses serão decisivos para saber se a vazante deste ano terá impacto significativo na rotina das comunidades do Alto Solimões.

Em Tabatinga, onde o rio Solimões tem papel fundamental na vida econômica e social da população, a evolução do nível das águas continuará sendo um dos principais indicadores do avanço da estiagem na região.

Foto: Internet

Por Redação SIMCOM